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Praxis in memoriam II — Ad impossibilia nemo tenetur

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Tal como expli­cado na entrada ante­rior, na pas­sada segunda-feira foi o dia do des­file do caloiro. Ape­sar de este só ir rea­li­zar pelas 14, a parte da manhã foi bas­tante pre­en­chida, com os habi­tu­ais cân­ti­cos e o ali­nha­mento dos cento-et.all “mar­man­jos” do meu curso, para, pos­te­ri­or­mente, assis­tir­mos ao dis­curso do Mag­ní­fico Rei­tor da FCT (entre outras figu­ras de relevo que tam­bém nos aco­lhe­ram no auditório).

Foi só após a fila inter­mi­ná­vel do almoço que nos come­çá­mos a pre­pa­rar para o des­file pro­pri­a­mente dito, e, ver­dade seja dita, os vete­ra­nos esti­ve­ram de para­béns — desde refe­rên­cias a jogos como o Super Mario e os seus cogu­me­los (“It’s a me! Mario!”), Tetris, Pac-Man e até The Sims (com cris­tal verde que eles têm a flu­tuar e rodar na cabeça); pas­sando pelos sabres de luz do Star Wars, ícones de várias apli­ca­ções e logo­ti­pos de sites da web (havia uma caloira a pedir assi­na­tu­ras para reu­nir “ami­gos” no hi5) e aca­bando com as infa­mes siglas tão usa­das na net (o LOL e o OMG).

Pes­so­al­mente fiz parte do quar­teto Mor­tal Kom­bat — Sub-zero, Scor­pion, Rep­tile e Rai­den — do qual eu era o último, e, por­tanto, tinha um belo de cha­péu para me fazer som­bra durante o sola­rengo e res­se­cante per­curso desde o cam­pus do Monte da Capa­rica até ao Par­que da Paz (pas­sando por Almada e cau­sando arraial pelo caminho).

Foi uma expe­ri­ên­cia inte­res­sante, se bem que por vezes can­sa­tiva (e pés­sima em ter­mos de hidra­ta­ção, excep­tu­ando tal­vez o final, “O Banho”). Vere­mos o que o futuro ainda me reserva neste resto de semana do caloiro…

Praxis in memoriam I

Domingo, 20 de Setembro de 2009

Já que ama­nhã é o dia do Des­file dos Caloi­ros, passo a rela­tar a expe­ri­ên­cia que tive na última semana com as praxes.

A praxe é um ritual ini­ciá­tico (e por­tanto cai den­tro daquele grupo de acti­vi­da­des huma­nas que para mim são muito estra­nhas) que tem (na teo­ria) o objec­tivo de inte­grar o caloiro na sua nova vida aca­dé­mica. Na prá­tica isto resulta na pro­mo­ção do caloiro a:
– Objecto deco­ra­tivo, boneca de trapos/barbie e tela de pin­tura: O caloiro reconhece-se facil­mente pelas pin­tu­ras de “guerra”. Curso, opção e média (e, para os “ignó­beis” que mete­ram IST e não entra­ram, a sigla men­ci­o­nada bem demar­cada, nor­mal­mente no pes­coço) subs­ti­tuem o “Amor de mãe” e povoam a cara dos caloi­ros. Outras pin­tu­ras podem com­ple­men­tar o cená­rio, ao gosto dos vete­ra­nos. A roupa do avesso é um must, assim como aces­só­rios diver­sos (peru­cas, cha­péus, ven­das…). Quem disse que caloiro não tem traje? :P
– Sol­dado: Encher, mar­char, gri­tos de guerra, cân­ti­cos e bata­lhas. Até por cam­pos mina­dos os caloi­ros andam…
– Moço de Reca­dos: Os vete­ra­nos podem muito bem man­dar o caloiro ir bus­car um copo de água. Ou vinte.
– Entre­tei­ner: Gri­tar com for­mi­gas, dan­çar a dança do cabaré, regres­sar à pri­meira infân­cia. Um uni­verso de pos­si­bi­li­da­des. Todas elas tolas.
– Apren­diz de actor porno: quando é para o debo­che, é MESMO para o debo­che. No exceptions.

Ficam algu­mas fotos, da auto­ria dos meus hon­rá­veis vete­ra­nos (já que caloiro jamais tem tempo ou mãos dis­po­ní­veis para tirar fotos)

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E pronto, ama­nhã a saga continua…

Myself 2.5

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

As férias são uma óptima altura para des­can­sar, mas a mudança de ara­gens e o tempo de des­canso traz con­sigo uma hipó­tese de medi­ta­ção que rara­mente con­se­gui­mos nou­tras alturas.

Fazem muito mais sen­tido intros­pec­ções nesta altura do que “Reso­lu­ções de Novo Ano”, na minha opinião.

Assim sendo, apro­vei­tei os dias que pas­sei no “bem-bom” para pôr pri­o­ri­da­des em dia, defi­nir metas, pla­near o meu eu, nova­mente. Não será uma mudança radi­cal, ape­nas um aper­fei­ço­a­mento, dando segui­mento a coi­sas que já tinha entre­tanto definido.

Com a uni­ver­si­dade à porta (espero), poderá ser difí­cil cum­prir tudo a que me pro­po­nho, mas se não ten­tar nunca saberei.

Enunciado Integrante da Impossibilidade Cognitiva Total

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Con­si­dere a equa­ção f(x) cuja velo­ci­dade faz uma semi­breve com o plano per­pen­di­cu­lar a 1974,  e cujo expo­ente máximo de expres­são é o cubismo. Con­si­dere ainda a arté­ria aorta loca­li­zada à lati­tude de 53 graus oeste duma reac­ção quí­mica endo­tér­mica cujo pro­duto interno bruto per capita foi a base do sis­tema soci­a­lista de tác­tica 1−4−4−2 que Marx ide­a­li­zou e que devol­veu como out­put uma ora­ção na qual o sujeito é uma variá­vel do tipo string.

Sabendo que este enun­ci­ado não faz qual­quer sen­tido, adi­ci­one 23 gra­mas de açú­car, vire na segunda à esquerda e mexa-se pela sua saúde.

Um post em que se critica alguém, porque a minha vida não corre bem

Quinta-feira, 09 de Julho de 2009

O título deste post é enga­na­dor. Ou melhor, parte dele é enga­na­dor, espe­ci­al­mente aquela parte a seguir à vír­gula. A vida até pode não me cor­rer às mil mara­vi­lhas mas todos os dias tenho pro­vas de que podia cor­rer bem pior, e, por isso, não venho para aqui fazer cho­ra­di­nho. Pas­se­mos, por­tanto, ao que interessa.

Oca­si­o­nal­mente, cir­cu­lam por aí (e leio) crí­ti­cas sobre esta nova gera­ção (seja ela qual for, parece-me que ainda não bali­za­ram isso muito bem), ape­li­dada mui­tas vezes de gera­ção “Moran­gos com Açú­car”. Por mais que abo­mine tal série (e as cri­a­tu­ras que se espe­lham nela), sou obri­gado a con­fes­sar que algu­mas des­tas crí­ti­cas soam bas­tante a uma crise de meia-idade, de uma outra gera­ção, desi­lu­dida, enga­nada, des­tro­nada dos seus sonhos.

A crí­tica resume-se (e até nem total­mente sem razão) a três aspec­tos — dinheiro, estu­dos e liber­dade. “Esta gera­ção é uma pri­vi­le­gi­ada, esta gera­ção sai da escola sem saber nada, esta gera­ção não tem res­peito por nin­guém e faz o que bem lhe ape­tece”. A culpa, claro está, é dos miú­dos. Não, espe­rem…é da tele­vi­são, do com­pu­ta­dor e do tele­mó­vel. Não, afi­nal não, é dos pais que não lhes sabem dar edu­ca­ção… Não, cá para mim é dos pro­fes­so­res e das escolas… Meus caros, pal­pi­tes tam­bém eu sei dar (estou neste pre­ciso momento a fazê-lo) mas diria que esta ten­dên­cia de divór­cio da culpa é bas­tante engra­çada, e um grande exem­plo da divina moral desta gera­ção sublime que se acha  agora no direito de vir cri­ti­car a nova gera­ção, por não ter de pas­sar pelo o mesmo que ela pas­sou. Por­que isso lhe iria for­ta­le­cer o carác­ter. Fazer deles melho­res pes­soas. Serem mais acti­vos na soci­e­dade. Aliás, vê-se cla­ra­mente que tal acon­te­ceu. A nova gera­ção é que pro­vo­cou a crise. Saca­nas, se não pas­sas­sem tanto tempo ao telemóvel…

As cri­an­ças e os jovens são isso mesmo. Têm e devem ter tempo de o ser. O ide­a­lismo da velha guarda do “devia ser no meu tempo” é curi­oso, por­que esse raci­o­cí­nio leva a infin­dá­vel ques­tão do “Quem nas­ceu pri­meiro?”.  Quando os tem­pos, os meios e as fer­ra­men­tas mudam, é pouco sen­sato exi­gir que as pes­soas se man­te­nham as mes­mas. O velho dá sem­pre lugar ao novo — é o pro­cesso conhe­cido como progresso/evolução. Já dizia Camões: “Mudam-se os tem­pos, mudam-se as von­ta­des, (…) / Todo o mundo é com­posto de mudança, / Tomando sem­pre novas qua­li­da­des.

Admito que há uma cam­bada de jovens men­te­cap­tos e inap­tos nesta gera­ção. Falta os senho­res crí­ti­cos admi­tir que tam­bém os havia na deles (e alguns até se terão safado muito bem, digo eu).